quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Vitória, Vitória começou a história.

A "nossa" Vitória está óptima. Linda, branca, bolinha de pelo e com olhinhos que já aparentam ser azuis. Já lambe as patas, já faz ronrom, já nos segue com o olhar e é muito curiosa.

A Lisa ainda não se deixou convencer. Deixa-nos tristes e apreensivos. A veterinária diz que mais dia menos dia o instinto maternal dela vem ao de cima. Eu acho que já passou uma eternidade e não vejo grandes mudanças, para além de já se chegar mais perto para a cheirar.

Os dias não têm sido fáceis. As minhas rotinas diárias já de si são complicadas, com kilometros para trás e para a frente. Agora inevitavelmente tenho que dar mais algumas voltas porque para além de deixar miúdos na escola e na avó, é preciso também deixar a bichana na casa da "ama". Continua a ser preciso acordar de noite para lhe dar o biberão e isso confesso é a parte pior. Voltar a essa experiência não estava nos meus planos.

Não é suposto um animal precisar dos humanos nesta fase. Dependeria da mãe e aprenderia com ela e com a restante ninhada tudo o que precisa para ser uma gata e comportar-se como tal. Certamente pelo facto da vida dela ter tomado um rumo diferente ela também será uma gatinha diferente... mas para isso ainda temos que esperar.

Confesso que tenho andado numa ansiedade tremenda. Mais um animal em casa não estava nos nossos planos. A chegada da Lisa foi por volta desta altura, mas do ano passado, já foi um grande acontecimento e uma atitude mais que pensada. A Lisa não foi comprada, nem foi uma gatinha que veio bebé cá para casa como a Vitória. A Lisa foi adoptada já crescida e isto fez toda a diferença. Cada animal que chega a uma família tem que ser devidamente planeado e deve ter-se em conta as características, as condições, a disponibilidade e o amor que existe para ele. A Lisa corresponde na perfeição às características da nossa.

[Nem vou falar no abandono de animais. Nem vou falar da inconsciência dos donos de animais que não cumprem regras básicas como por exemplo a vacinação, o uso de açaimes, a colocação de chips e a esterilização dos animais. Esta última, por ser realmente a mais dispendiosa de todas, faz com que as pessoas facilitem e depois temos um descontrolo total na reprodução dos animais. As pessoas esquecem-se que quando uma gata ou uma cadela, por exemplo, fica grávida, não vai ter apenas uma cria, mas sim uma ninhada. Logo o problema vai aumentando exponencialmente .]

A Vitória veio numa altura complicada. Numa altura em que eu tinha planos para outras coisas. Numa altura em que cada um de nós cá em casa ia começar novos projectos. Sem dúvida que tendo em conta a dependência dela por nós (por mim, essencialmente) vamos ter que adiar algumas. 

Sim é só uma gata vadia. Mas não foi uma gata vadia qualquer. Lutou pela sua sobrevivência e eu não consegui não ajudar. Agora o futuro é um dia de cada vez. 

E o nome dela? Só podia ter sido este!

[Obrigada à Ana, à Xana e à minha sobrinha por me ajudarem. Foram e são preciosas!) 















3 comentários:

  1. O nome é perfeito!
    E às vezes a vida troca-nos as voltas...desta vez não foram vocês a escolher a gata, mas sim a Vitória escolher a família humana que queria para ela.
    Adoro esse teu coração enorme <3

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  2. É uma ternura!
    E é preciso coragem S.
    Um beijinho

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  3. Deixo-lhe aqui os meus parabéns! Por ajudar esta criaturazinha indefesa, sozinha... Não se arrependa de ter estas alterações nas suas rotinas. A vida a compensará. Eu também resgatei 2 gatinhos bebés há pouco tempo - a mãe abandonou-os. Um deles não sobreviveu mas o outro já corre aqui pela casa, feliz e contente. E até o gato que eu já tinha (com 1 ano e meio) o "aceitou" e já brincam juntos. Felicidades! (Paula Fonseca)

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