segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Dias

O sabor igual dos dias em que não te vejo. 

O bafo quente dos últimos dias de verão que me lembram sempre de ti.

A vida que rebola sem controlo e que às vezes lá se encaixa na normalidade banal do dia a dia.
Um dia pratico o desapego e noutros deixo-me embrulhar no superfulo e na futilidade.

Um dia bom e dois maus. Um dia assim assim e outro péssimo. Dias que correm e que se escapam pelo meio da barafunda da vida. Dias leves, dias de chumbo. Pesados e doridos capazes de esmagar os sonhos, as vontades e até a alma mais forte e valente.

Dias vazios cheios de gente e de coisas que só ocupam lugar. Dias ventosos, de chuva e de trovoadas estridentes que ecoam só no coração.

Dias assim. 

Dias.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Caminho de sempre.

Um dia desces a rua. Como todos os dias, anos a fio. Olhas para trás e já não reconheces o caminho. Assustas-te com essa sensação do desconhecido, de desconforto, de insegurança. Então voltas ao inicio e voltas a percorre-lo devagarinho para perceberes o que mudou. Estranho. Está tudo igual. Mudaram, as cores das fachadas, mudou o piso, mudaram algumas pessoas. Mas o caminho está igual. O mesmo desenho e a mesma distância. 
Depois olhas para ti. Com calma, com atenção. Procuras meticulosamente pelos sinais que possam ter provocado essa mudança e de rompante percebes que não te reconheces é a ti, porque o caminho na realidade esteve sempre lá de igual forma.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Na dúvida, vai. (e ama)

Vai. Não fiques aí parado. Avança e cumpre.

No amor, caminha com certeza e segurança.

Desorienta-te mas só com a força da imensidão que é o meu amor. [por ti]

Na dúvida, vai. Sem medo. Ama. Sem medo. Faz. Sem medo. Sempre.

Avança.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Rua acima

Esperei por esse dia. 

Depois corri rua acima e esperei por ti. Sentei-me naquele banco de jardim. O nosso banco de jardim.

Eu gosto de chegar antes. De esperar por ti. De te ver a aproximar. Meço os teus passos, olho o teu jeito de andar. Depois levanto-me num impulso e recebo-te com um abraço. Como sempre.

[Provo a tua pele gelada. Arrepio-me e deixo-me seduzir como de costume.]

Vale sempre a pena esperar por ti e correr rua acima para chegar primeiro.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Um tempo dentro do tempo.

Aquele que corre sem parar. O tempo que o relógio conta sem pestanejar. Esse que não dá para parar, acalmar ou segurar.

Mas depois há outro. Um só meu. Um que corre na minha cabeça, no meu pensamento. Nesse sou rainha e senhora. Dona. Proprietária. Mando e desmando. 

Por isso, hoje decido que ele não avança a correr. Vai demorar tanto quanto me apetecer estar embrulhada no teu colo. Tanto quanto me apetecer sentir o teu bafo quente no meu pescoço, na minha pele. Tempo para sentir arrepios de felicidade sem pressa. Tempo para te sentir.

E às vezes o tempo é o que fazemos com ele, mesmo que seja apenas na nossa cabeça. 

Neste meu tempo quem manda sou eu.


(e sim, ainda cá estou)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

As pessoas que (não) nos fazem falta.

É da minha natureza precisar de gente, de pessoas na minha vida. Eu digo isto porque há gente que não precisa de gente na sua vida. Não sei como conseguem, mas é verdade.

As pessoas preenchem-me a vida. Dão-lhe razão de ser. Não me imagino sem as "minhas" pessoas. A vida fica-me sem combustível.

Isto para mim são certezas quase absolutas. Para já não consigo viver de outra forma.

Mas depois há pessoas que teimam em estragar tudo e preferem não fazer parte deste mundo de viver com gente. Vivem apenas no seu mundo, sozinhas. Alimentam problemas, escurecem os caminhos que fazem e tornam mais complicadas as decisões que têm que tomar. Eu não sei viver assim e confesso que lido mal com estas pessoas. 

A felicidade em torno das pessoas e o bem que umas podem fazer às outras é coisa difícil de lidar. Nem sempre é fácil clarear os caminhos de algumas.

Detesto desistir das pessoas. Principalmente daquelas que sempre estiveram comigo e que foram crescendo ao meu lado. É um esforço sobrenatural que se faz, mas às vezes tem que ser. Não há outro caminho que nos faça feliz. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Trabalhos (de) em casa e a culpa que as mulheres carregam. Ou não.

Tudo o que existe para fazer dentro de uma casa, sejam tarefas de limpezas, cozinhar, arrumar, cuidar dos filhos etc, são da responsabilidade de todos que habitam nessa casa. Ao longo dos tempos o papel da mulher foi mudando como todos sabemos e ela passou a estar mais horas fora de casa. Passou a desdobrar-se para conseguir dar conta dos dois recados. 

Entretanto a sociedade foi evoluindo e os homens da casa passaram a "ajudar". São vistos com muito bons olhos por "elas" e com desconfiança por "eles". Alguns exibem orgulhosamente esta sua faceta  e sem dúvida que este foi um importante passo para a redefinição dos papéis sociais que cada um ocupa, começando em casa. Agora é importante passar a mensagem e principalmente educar os nossos filhos para a diferença que é o "ajudar" do "partilhar ou dividir". 
Sem entrar em grandes conceitos ou grandes chavões e simplificando, podemos perceber que o importante é que em casa sejamos todos felizes. E essa felicidade passa também pela partilha do que há para fazer! Não se trata de ajudar a "empregada" do costume pondo a mesa ou tirar a roupa da máquina  só porque ela pediu.

Se para termos roupa lavada é precisa lava-la e para comer temos que cozinhar, então é meter as mãos à obra. 

Claro que não temos todos os mesmos dotes e há coisas que gostamos de fazer mais ou menos que outras. Quando há entendimento facilmente estas coisas se percebem e naturalmente as pessoas acabam a fazer aquilo para o qual têm mais aptidão ou gosto. Mas é importante que estejam disponíveis a tomar a iniciativa de fazer as outras coisas.  De aprender, de tentar pelo menos. Dar banho a uma criança não é um bicho de sete cabeças, apanhar roupa do estendal também não, tal como não é complicado cortar a relva do jardim, ou lavar o carro, ou pendurar quadros. 

Nós mulheres muitas das vezes perpetuamos maus hábitos nos outros. E desculpem a atribuição de parte da culpa a nós mulheres, mas ainda é o que acontece. Continuamos a ser nós as principais responsáveis pela educação dos filhos e inevitavelmente desculpamos-lhes muita coisa e deixamos que eles recebam de herança estes maus hábitos.

De uma forma simples, é importante que cada elemento do agregado perceba as necessidades dos outros respeitando a sua individualidade mas ao mesmo tempo fomentando a vida em grupo que é a FAMÍLIA! 

Para o grupo funcionar todos têm que colaborar e colaborar não é limitar-se a esperar que as coisas apareçam feitas ou que alguém nos diga o que fazer. É simplesmente ir e fazer.

Acreditem que é mais fácil do que parece. A mudança começa em nós. Na nossa forma de pensar. Mas não se julgue que não há famílias que são muito felizes mesmo sendo assim, ainda da geração do "ajudar". Se essas não se importam de o ser e funcionar assim, pois então um viva à diversidade. 

Não há soluções milagrosas mas há sem dúvida linhas orientadoras e isso já é uma grande ajuda.






quarta-feira, 30 de abril de 2014

A vida contada como trocos.

Há tantas vezes em que é assim. É que depois caímos naquela coisa de andar a contar os sentimentos como se fossem cêntimos que nem sempre chegam para um café.

Para mim a vida tem que ser contada vivida como se estivéssemos a lidar com a fortuna mais valiosa de todas. 

E os trocos dão-me cabo do porta-moedas. Prefiro notas gordas. 

Fiz-me entender?

Pois, não há problema.