sexta-feira, 20 de setembro de 2013

As gajas.

A minha casa está a ganhar tendências femininas. Enquanto estive em minoria, a coisa não foi fácil. Nada que me preocupasse, nem que me preocupe ainda.
 
Entretanto as coisas equilibraram-se e o mundo das mulheres começa a ganhar espaço dentro do meu ninho.
 
A chegada e o crescimento da miúda fez com que aos poucos a casa fosse ganhando outras cores e outros adereços...
 
Em minha casa já se "fazem papinhas" para os meus netos. Sim já tenho netos. Tenho uma cozinha carregada de loiças, na sala, e uma tábua de engomar. Há uma esfregona e um aspirador. Há bebés embrulhados em mantinhas e fraldas de pano.
 
 Uma casa dentro de outra aos poucos começa a surgir...
 
Depois vieram as malas, cestas, os telemóveis de plástico cheios de autocolantes de princesas e afins. Coisas bem pirosas como se quer.
 
Ou seja, a minha filha começa a descobrir agora o prazer de brincar com os chamados "brinquedos de menina". Mais tarde que outras miúdas que conheço, na minha opinião.
 
 Ela sempre esteve rodeada por "brinquedos de rapaz" - os do irmão e os do primo. Sempre se desenrascou muito bem a fazer corridas e pistas de carros. Sempre gostou de construir pistolas, prédios e torres com os legos. [Esta semana construiu um avião].
 
O meu filho sempre teve carros e bonecas ao dispor, mas a tendência natural levou-o sempre para os carros. Mas foi maravilhoso vê-lo nas semanas seguintes ao nascimento da irmã, a brincar com os seus bebés e principalmente a amamentar as bonecas e a mudar-lhes as fraldas. Claro que não é preciso falar no olhar de soslaio que o pai lhe atirava. Adiante. Isso também lhe passou, mas para mim foi ternurento ver esses momentos.
 
Hoje tenho lá em casa duas crianças com papéis e comportamentos de género mais ou menos definidos. Não tenho preconceito nenhum em relação a isto. Se a minha filha continuasse a brincar com carros e o irmão continuasse a amamentar os bonecos, não ia a correr com eles ao psicólogo para fazer já o despiste e avaliar as tendências deles. (Nem acredito que estou a escrever isto. É que há coisas que são tão naturais que nem fazem sentido ser esmiuçadas como vejo por vezes...)
 
Não os proíbo nem incentivo a brincar com determinados brinquedos... compram-se aqueles que consideramos ser do seu gosto natural e de acordo com a idade ou estado de desenvolvimento em que estão. E pronto. Sem dramas nem grandes reflexões. E principalmente sem grandes stresses.
 
Neste verão fomos a uma feira medieval com eles. Ele trouxe um pião em madeira, com faniqueira e tudo, ela trouxe uma carrinho de boneca em madeira pintado à mão. Adivinhem lá o que aconteceu quando chegaram ao carro? Pois. A troca. E com cada um a achar que o brinquedo do outro é que era mais fixe...
 
O miúdo este verão recusou-se a vestir coisas com padrões floridos. Mas curiosamente continua a vestir polos e t-shirts cor de rosa, sem daí fazer qualquer atribuição ou tirar alguma elação...
 
As coisas devem ser naturalmente naturais. Tão simples quanto isto.
 
Agora entramos numa nova dimensão. A miúda começou a interessar-se pelas minhas coisas. Já calça sapatos, sandálias e chinelos. (Já o fazia antes mas com qualquer calçado que encontrasse, fosse feminino ou masculino) mas agora são as minhas coisas que lhe interessam.
 
Vasculha-me a carteira. Encanta-se com pulseiras e colares. Olha com fascínio para os vernizes e repara de imediato se mudei de cor nas unhas. Passa a mão pelas roupas novas que visto.
 
Passeia-se pela casa com carteiras ao ombro e filhos ao colo ou empurrados em carrinhos. Leva sempre chaves e telemóveis nas mãos e vem sempre despedir-se de nós, como se fosse a algum sitio importante. Um cenário incrível.
 
 
Ontem finalmente, comprei uns sapatos para levar a um casamento que temos em breve.
 
Ela quase entrava em transe!!! Primeiro lançou-lhes uns gritinhos estridentes e uns "ah" e uns "oh" e claro lá foi ela dar uma curva com eles. Foi mesmo só uma curva, porque estatelou-se.
Lá se conformou com a realidade.
 
Saltos são coisa do demo. É mesmo minha filha. 
 
Não esmoreceu e correu para as minhas sabrinas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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